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 ROMEU GUIMARÃES DE ALBUQUERQUE

 

Queluz do passado nos assentamentos de Romeu Guimarães de Albuquerque
Texto publicado por "José Clemente", JORNAL ESTADO DE MINAS, Sábado, 10.03.1979 – 2.
 
 “Romeu Guimarães de Albuquerque foi durante sua longa existência (Faleceu em 1968 com 90 anos) uma das figuras mais conceituadas de Queluz de Minas (hoje Conselheiro Lafaiete), pela lisura de sua vida, inteligência, sensatez e essencialmente por sua ternura pela cidade. Todos o conheciam. Mais do que isto, estimavam muito aquele homem magro, tranqüilo, que morava ao lado do adro da Matriz, inseparável de sua bengalinha. Não era um procurador de conversas, mas quem a ele se dirigisse, logo teria uma prosa amena, inteligente, rica de conhecimentos, sobretudo a respeito de quanto se referisse a história política e administrativa de Queluz. Ouví sempre falar bem de “seu” Romeu Albuquerque, declarado por todos um homem de conta-peso e medida, caráter de vinte e quatro quilates. Menino não pertencia à sua roda. Fui crescendo. Aos dez anos, deixando Queluz para ir estudar no Ginásio de Barbacena e depois, vindo para Belo Horizonte, com o correr dos anos tornei-me um “queluziano ausente”, mas sempre  ouvindo referências boas a Romeu Guimarães Albuquerque, que continuava naquela toada de vida, cercado do apreço geral de meus conterrâneos e dos que íam chegando para a cidade. Era um cidadão prestante da comunidade, queluziano pelo coração, pois , tendo nascido, em 1878 em Juiz de Fora, para minha terra foi com 12 anos, lá se casou em 1904 e constituiu uma família de 12 filhos. Foi secretário da antiga Câmara Municipal, redator de jornal, proprietário de jornal, provedor do Hospital, presidente do Tiro de Guerra, juiz de paz anos seguidos e juiz municipal e de direito em substituição. Escrevia bem e compunha músicas. Fez um Hino da Cidade, de parceria com o compositor Mansuêto Leão Correia. Vivia para sua família e para a cidade que o amava. Sempre eu ouvi dizer que seu Romeu, pacientemente, registrava em cadernos tudo o que ocorria na vida política, administrativa e social de Queluz, com informações flagranteadas na hora, contendo datas, fatos e personagens, isto é, fazia um levantamento que era História, registrando tudo com fidelidade à verdade. Esses registros particulares de Romeu Guimarães de Albuquerque seriam assim repositório perfeito da vida da cidade, desde o passado. Vida que ele ia apreciando, grande parte transcorrida sob suas vistas de observador filósofo... Por seu contingente de experiência era opinião acatada no tocante sobretudo às coisas da política local, pois a conhecia muito bem e profundamente. E conhecia a fundo os homens que a praticavam. As referências a ele sempre incluíam este informe: “O Romeu Albuquerque tem registro completo de tudo o que aconteceu na política de Queluz”. Morreu ele há 10 anos. Toda a cidade lhe pranteou o desaparecimento. Era bem um figura típica das virtudes mineiras que desaparecia. Note-se que Queluz é uma cidade de política efervescente desde o passado, criadora de cisões e mais cisões, com vínculos de amizadaes que se faziam e se desfazem ao sabor das lutas políticas locais. Romeu de Albuquerque viveu nesse meio tumultuado, entretanto, pelo equilíbrio de seu viver, pela perenidade da lucidez de seu espírito e pelo seu coração sem raivas, nunca teve desafetos. Porque só pensava para o bem, interessava-se em ver a cidade prosperar. Ecumênico, desejaria a união geral, em permantente mutirão, para que Queluz vencesse os obstáculos que a danada da política, com suas maldades, invejas e ódios punha no caminho, pouco unindo e mais dividindo as criaturas.
E o livro dele, os seus apontamentos, que deveriam ser preciosos para a recomposição histórica da vida do município? Este livro existia realmente na sua gaveta. Estava lá, cuidadosamente elaborado por ele, com seu espírito disciplinado à verdade, relatando fatos e mais fatos, história das coleções materiais de progresso e episódios  políticos, tudo vazado para o papel com cuidado de um historiógrafo honestíssimo. É esse livro que sua família fez publicar agora com o título “Apontamentos para a História da Cidade de Conselheiro Lafaiete - Antiga Queluz de Minas”. Lí-o, com o interesse de queluziano que tenho orgulho de ser. É perfeito nos registros, nas rememorações, nas citações e corretíssimo na apreciação, que o autor probidosamente faz dos acontecimentos. É como um filme histórico de Queluz antigo com a apresentação de lugares, fatos e gente que participava dos fatos. Sou também velho e, portanto, não pouco do Romeu conta, registrando sempre os nomes das pessoas, vive na minha lembrança. Posso, portanto, declarar que o livro, tão referido por toda a gente, que Romeu de Albuquerque dia a dia escrevia sobre o velho Queluz, é uma boa radiografia da cidade. Ele não precisava em muitos casos de ir procurar documentos, porque via os fatos, apreciava-os com sua  arguta serenidade. O autor punha em seus assentamentos o que, se hoje, entenderem de procurar, exigirá revolvimento afanoso de arquivos e talvez não seja mais encontrado. Para o espírito lafaietense esse livro tem valor excepcional para os mineiros todos é também valioso, como história de épocas mineiras que se foram e que aparecem nítidas, com as características do tempo, dos hábitos, dos costumes. A política mineira municipal antiga, com a freqüência das dualidades de Câmara e “arranjos” das facções em disputa, pode ser conhecida, por quantos, hoje em dia, ignoram como era a política então praticada, dentro da lei ou fora da lei.”     

 

ROMEU GUIMARÃES DE ALBUQUERQUE
Proibida qualquer transcrição sem a expressa autorização da Editora *


Filho do Coronel João L. de A e Mariana A. Guimarães de A.
Marido de Adélia I.A.G.
Pai de 12 filhos, sendo que dois vieram a falecer ainda pequenos
Irmão de Anníbal G.A; Francisco G.A ; Maria G.A ; Raul G.A. e Ranulpho G. A. (faleceu menor)
Sobrinho de José L.A.  e neto de Joaquim C. G.
Cunhado de Jarbas Guimarães 


Em Belmiro Braga, São José das Três Ilhas, Fazenda da Conceição 

1878 - nasceu e passou a sua infância

 

Em Arcos:
1896 Aos 18 anos, esteve em Arcos, Minas Gerais, para escriturar a fazenda São Miguel

 

Em Queluz:
1904  Casamento com A. I. de A., filha do Coronel José A. de A. Cyrino e de Izabel C. de Souza

1905 a 1912: Amanuense da Câmara Municipal 
1908  Criação da “Bibliotheca Queluziense” em , formada na Câmara Municipal de Queluz pelo então Presidente da Câmara, Dr. José Caetano da Silva Campolina.

A Biblioteca recebeu na época doações e apoio de Napoleão Reys - Luiz Fernando V. N., Tenente Nogueira Chagas e Bibliotheca do Ministério da Aviação, alcançando um volume de 400 livros inicialmente chegando depois a mais de 3000 livros catalogados
A instalação ocorreu na sala onde funcionou a secretaria da Câmara, quando ganhou o nome de Biblioteca da Câmara seguindo até os anos trinta com esse nome e sendo depois revigorada sobrevivendo até os tempos atuais

 

Também:

Importante capitalista, proprietário de terras local, vendeu e doou parte dos terrenos do Cemitério Nossa Senhora da Conceição da Cidade de Conselheiro Lafaiete

Participou da formação de 3 clubes locais: Clube dos Democratas, Clube Castilho Lisboa e Sociedade Euterpe Queluziana

Presidente da Sociedade Pró-Educação

Proprietário e redator e escritor do Jornal A Gazeta de Queluz

Poeta, cronista, jornalista e correspondente em vários jornais, inclusive no Rio de Janeiro e em São Paulo

Provedor, tesoureiro e conselheiro do Hospital de Queluz, antiga Santa Casa de Misericórdia

Presidente do Tiro de Guerra número 405, atual TG 04-032

Juiz de Paz por anos seguidos e Juiz Municipal e de Direito em substituição 

Compositor, sendo ele quem fez um dos hinos da cidade em parceria com o senhor Mansuêto Leão Correia
Em 01 de março de 1958, reuniu com todos os seus filhos e organizou a Vila Romeu Guimarães, nos terrenos do antigo Pasto  (vide lei 290/56) , herança de sua esposa, A. I. A, em cota parte das terras do Coronel José Albino de A. Cyrino.

1960 Em 16 de outubro ganhou o Diploma de Mérito - Gente de Fibra pela Rádio Carijós

Em meados dos anos 60, surgiu a Escola Municipal que carrega o seu nome, Escola Municipal Romeu Guimarães, na localidade de Gagé, município de Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais. 

 

Autor do texto do livro impresso pelo filho João de Almeida Guimarães, em parceria com os outros irmãos, pela Esdeva Empresa Gráfica LTDA, em Juiz de Fora, Minas Gerais e distribuído em homenagem ao centenário de seu
nascimento :

“Apontamentos para a História da Cidade de Conselheiro Lafaiete (Antiga Queluz de Minas)”.

No ano de 2018, essa obra foi usada como referência para o Concurso Público da Câmara Municipal de Conselheiro
Lafaiete.

 

Romeu Guimarães de Albuquerque foi um exemplo de homem e cidadão, dedicando a sua vida à família, ao trabalho, à melhoria da cidade e à harmonia da sociedade local


Livros:
“Apontamentos para a História da Cidade de Conselheiro Lafaiete - Antiga Queluz de Minas”

(Livro de crônicas sobre os costumes da velha Queluz)


Outras obras:
Era um dos mais completos jornalistas da cidade, tendo redigido vários jornais e colaborado com:
“A Gazeta de Queluz”;
“ Nova Era”;
“Correio da Semana”;
“O Tempo”;
“Jornal de Lafaiete” e outros


Escreveu inúmeras crônicas, contos, artigos, poesias, sendo o autor da Letra do Hino “Torrão Natal”

 

 

   Anotação de Fúlvio A. Guimarães 
Erratas
"Na data comemorativa do centenário de nascimento de meu pai (1978) seus filhos editaram o seu livro “Apontamentos para a História da Cidade de Conselheiro Lafaiete (antiga Queluz de Minas)” que teve boa aceitação do povo daquela cidade.
Penso que deixamos escapar pequenas falhas, em razão do conteúdo de suas 80 páginas, e que foram:
Na página 9: Lê-se Amaro Ribeiro Serra e não Amaro Ribeiro Sena.
Onde consta João Lopes Teixeira Brandão, leia-se: João Lopes Teixeira Franco (pg 15, pg 18, pg 23, pg 61).
Onde consta Pe. José Vieira de Souza Ramos, leia-se: José Vieira de Souza Barros, pág. 70.
Onde consta Itaperava, leia-se Itaverava, pág 30.
Onde consta Nota à parte da página 67, transfira-se para o rodapé da página 63."